António Sousa venceu a Maratona Popular de Badajoz, mas o seu esforço foi inglório, uma vez que duas horas após cortar a meta, foi informado pela organização que seria desclassificado.
Tudo devido ao protesto do segundo classificado, o também português João Serralheiro,(devia ter vergonha esse tal João Serralheiro) que alegou que António Sousa já tinha sido profissional de atletismo, pelo que, e segundo os regulamentos na vizinha Espanha, não poderia participar em maratonas populares, abertas apenas a atletas amadores.
Já esta manhã e em declarações ao Atletas.net, António Sousa explicou melhor a situação: «Terminei a prova e todos me deram os parabéns, inclusive o João Serralheiro e depois quando regresso do hotel para receber os prémios sou informado que não iria receber o prémio devido a um protesto de um atleta português» - e acrescenta:
«Cheguei a pensar que fosse uma brincadeira para os apanhados, pois nunca tal coisa me aconteceu».António Sousa reafirma que de facto já representou a selecção portuguesa, mas nega que alguma vez tenha sido profissional do atletismo, pelo que não entende o sucedido: «Neste momento, o que sei é que a organização decidiu cancelar a entrega do primeiro lugar pois ia-se informar juntos das federações portuguesa e espanhola sobre a minha situação, pelo que nem coloco sequer a hipótese de não receber o prémio que me é devido por direito próprio». No entanto e se tal vier a acontecer, António Sousa é claro: «Irei levar o caso até às últimas consequências, nem que para isso tenha de recorrer ao Tribunal Europeu».
A notícia apanhou desprevenido António Sousa, que reagiu sob a forma de um comunicado enviado às redacções, que a seguir transcrevemos na íntegra, onde mostra a sua total discordância em relação à decisão tomada.SERÁ?
Nasci à praticamente 39 anos (26.02.1970) em Canha, Portugal. Estou ligado ao atletismo, como praticante, treinador, organizador de eventos, etc...há mais de 25 anos. Como praticante já corri mundo, ou seja, em todos os continentes, em competições de todos os níveis técnicos e organizativos, desde a simples prova rudimentar de bairro (fundamentais na dinamização, divulgação e angariação de novos praticantes) até ao Campeonato do Mundo, já estive no topo do ranking nacional (maratona), já fui Campeão Nacional e até ainda sou recordista nacional (25000m e 30000m), ajudei a organizar (inclusive em algumas fazendo o regulamento) algumas das principais competições de estrada que se organizam no nosso país (Meia-maratona de Lisboa, Maratona de Lisboa, São Silvestre de Lisboa, etc...), já fui até treinador de atletas olímpicos e foi preciso atravessar a fronteira e ir a Badajoz, participar na maratona local, no dia 1 de Fevereiro de 2009, para descobrir que uma das coisas que mais me orgulho de ter conseguido enquanto praticante “apaixonado” por esta modalidade, que em todo o mundo por onde corri sempre me valorizou, para os “nuestros hermanos” é um crime. Sensivelmente duas horas depois de ter sido o primeiro participante a cumprir os 42,195km, com o discreto tempo de 2h27’24, fui informado pelo director da prova que iria ser desclassificado porque tinha cometido o crime de ter representado a selecção de Portugal na maratona!!!! E que segundo o regulamento da IAAF em vigor, a organização permitia, a titulo excepcional, a participação de atletas portugueses, apenas porque eramos fronteiriços, mas nunca aqueles que já tivessem tido a pouca vergonha de representar o seu país a nivel internacional. Eu que profissionalmente sou professor de Educação Física em exercicio numa escola publica, que sempre utilizei nos mais variadissimos foruns, inclusive junto dos meus alunos, sempre muitos “futeboleiros” e pouco dados a estas coisas do atletismo, o argumento de que o atletismo era a única modalidade desportiva em que qualquer praticante, independente do seu nível técnico, poderia estar lado a lado a competir com os melhores do mundo (como acontece nas principais corridas de estrada de todo o mundo), descobri ao fim de todos estes anos que afinal não é verdade, pelo menos não na maratona de Badajoz, onde o Haile, o Tergat e até o António Sousa não podem competir com o João Serralheiro, a Lucinda Moreiras e tantos outros, porque, imagine-se, já foram escolhidos pelos responsaveis das respectivas federações para representarem os seus paises.Será que a IAAF sabe?Será que a EAA sabe?Será que a Federação Espanhola de Atletismo sabe?Será que as Federações dos outros países sabem?Será que a Federação Portuguesa de Atletismo sabe?Será que o governo de Portugal sabe?Será que o governo de Espanha sabe?Será que a Comunidade Europeia sabe?Será que os varios regulamentos e constituições destas entidades o permitem?Ou será tudo isto apenas uma situação criada para algum programa de “apanhados” e eu sou tão distraido que não percebi?O incredulo e virtual vencedor, desculpem, primeiro a chegar à meta, da 17ª Maratona Popular Ciudad de Badajoz.
P.S. Só por curiosidade, a situação foi despoletada por um protesto do segundo classificado, imaginem qual a sua nacionalidade? Exato!!! Português, que demorou mais tres “escassos” minutos que eu a fazer a prova e que por acaso estavamos hospedados no mesmo hotel, e tinha estado a conversar comigo na noite anterior à prova e antes da partida e inclusive me desejou boa sorte...e eu a pensar que era na prova!!!
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